Todos os dias, depois
da escola, vou para a casa da minha avó. Passo pelo portão do colégio, vou
direto para a van, e quando chego, lá está ela, me esperando com um grande sorriso para o almoço. Até,
mais ou menos, meus seis anos, ficava o dia inteiro na escola, o que era
extremamente desconfortável, ficar sentada naquelas cadeiras duras, pintando
aviões e montanhas.
Na realidade, meus pais começam a trabalhar de manhã e só
voltam de noite, como não posso ficar sozinha, vou para a casa dos meus avós.
Ficar lá todo dia com certeza nos deixou mais próximas, até em ações básicas,
como ir ao mercado ou até ajudar a lavar a louça. Para muitos, isso pode
parecer entediante, mas são nesses momentos que surge a conversa. Não converso
muito com meu avô, mas sou muito grata à ele, por nos ajudar a pagar a escola,
e sustentar uma parte do que consumimos. Minha relação com meu dindo, que
também é meu tio, é quase como se fôssemos irmãos, ele sempre me ajuda em
momentos difíceis, e por mais que me incomode (muito), ainda é um bom amigo.
Com essa convivência
diária, eu percebi que todos os momentos que passamos juntos são importantes e
devemos valorizar. Muitas vezes queremos uma certa distância dos parentes, por acharmos
que somos responsáveis e adultos o suficiente, ou apenas sentimos vergonha de
admitir que dependemos deles, ou até de mostrá-los que os amamos. Depois de
tudo que fizeram, e ainda vão fazer, o mínimo é dar atenção e demonstrar
gratidão e carinho, até porque não sabemos até quando vão estar aqui.
-Rafaela Rosa, Turma 81
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